.UM CONVITE E UM DESAFIO.

Desafiamos os nossos clientes, amigos, entusiastas de brinquedos, leitores ou simplesmente contadores de histórias a deixar aqui uma vossa história que nos fale sobre um brinquedo que ainda hoje recordem com saudade, ou outra qualquer que envolva brinquedos. Todos temos pelo menos uma. Enviem-nos as vossas histórias para que aqui as possamos partilhar. Estamos aqui também para os ajudar no esclarecimento de dúvidas ou questões que nos queiram colocar. Contamos convosco e esperamos a vossas histórias no email modelkitoeiras@sapo.pt Todas as histórias recebidas serão publicadas por ordem de chegada e de farão parte dos nosso Links
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

MEMÓRIAS DE UMA INFÂNCIA ÀS CORES

>
> Nunca gostara de brinquedos, brinquedos daqueles que já vêm com a estória
> toda, que reservam pouco espaço à criatividade, uma vez ofereceram-lhe um
> camiãozinho roxo, achou que era diferente, tinha boa cor para ser
> ambulância, seria visível ao longe. Retirou-lhe as rodas, na sua imaginação
> o camiãozinho deslizava para ser mais veloz que os outros veículos. Foi útil
> várias vezes até daquela que a boneca Tucha assumiu ser Maria Antonieta e
> acabou decepada para não se armar em grande! Tinha um cesto de verga, que
> por algum tempo teve em cima uma minúscula tartaruga a habitar uma tina; era
> um cesto alto, debruçava-se para apanhar os brinquedos do fundo, e isso era
> a verdadeira diversão, redescobrir os brinquedos, quantas vezes no fim do
> cesto vazio o encheu de novo, não tinha mesmo muita paciência para brincar!
> Sempre detestaria críticas infundadas e sempre que lhe diziam ‘ vais
> desarrumar tudo’ era meio caminho andado para já nem tocar no cesto. Outras
> vezes, só sabiam depois, com tudo cá fora, subornara o canário com um pedaço
> de maçã, para não lhe denunciar a presença.
> Gostava mesmo era da bicicleta, vermelha reluzente, era uma chatice para a
> deixarem levá-la para a rua… ia à oficina ao lado encher os pneus, onde
> existia um pastor alemão assustador chamado King. Do outro lado da rua, o
> rival do King, o Lord, quando passava de bicicleta, o King ladrava e o Lord
> rivalizava, mas mesmo solto nunca atravessou a estrada, era um cordial
> confronto de titãs.
> O Lord e o King tornaram-se seus amigos, o King gostava de uma festa perto
> das orelhas arrebitadas, nunca perdia a pose altiva, mas apreciava a ousadia
> do toque, era senhor do poder que detinha nas atentas mandíbulas. O Lord
> onde quer que estivesse vinha de mansinho, e deitava-se, olhando
> desconfiado, enquanto via meter uma moeda, daquelas de 5 escudos que tinham
> uma caravela, na máquina das bolinhas das pastilhas elásticas, o safado do
> cão percebia bem que se saísse uma azul era motivo de maior felicidade.
> Teve tardes de pintar os Topo Gigios que saíam na lata de Coqui, com
> aguarelas, depois lavava-os novamente para ficarem brancos: gostava de loto
> e do arco, do dominó e da bota botilde, do pau-queimado e de uma massa
> pegajosa verde que se guardava num barrilinho, dos berlindes e do pião que
> nunca aprendeu a rodar, de brincar às escondidas e esconder-se no prédio das
> escadas estreitas. Dos jogos ainda recorda as cores. Gostava de correr, um
> dia caiu no chão e não se levantou, foi a primeira vez na vida que ficou
> inconsciente, um tropa apressado para o fim de semana de colo de mãe,
> provocou o embate, valeu-lhe um olho negro e umas cantilenas da avó sobre
> teimosia… Não haviam ovos kinder com surpresas lá dentro, mas haviam os
> chocolates Regina de morango e ananás, os bonecos natalícios de papéis
> coloridos e brilhantes, as célebres bombocas e o Circo só no Natal e de
> preferência no Coliseu de Lisboa. Agora há de tudo mas já nada se sabe
> querer. A felicidade residia num prato de cereais com muito chocolate e os
> desenhos animados preferidos na televisão.
> Esfolou muitas vezes os joelhos, e detestava tanto chorar como
> desinfectá-los, conserva uma cicatriz de memória desses tempos em que
> recusava as sulfamidas e pintar os joelhos com mercurocromo. Partiu a cabeça
> na chaminé de pedra da avó, mas nunca mais se esqueceu que no posto médico
> enquanto estava na maca virada para baixo para lhe coserem a cabeça, a avó
> lhe deu um cachimbinho pequeno colorido que era de rebuçado, nunca mais
> partiu a cabeça e nunca mais encontrou cachimbos daqueles.

gentilmente escrito por http://trampolim.blogs.sapo.pt/

publicado por modelkitoeiras às 14:57
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Lobaaaaaaaaaaaaaa a 20 de Outubro de 2007 às 12:10
Muitas recordações da infância que, pelo que leio, me pareceu muito bem vivida.

Um bom fim de semana :)

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. OS CROMOS DA PALIREX 71/7...

. O GATO SAPATO E O ZÉ SEMP...

. O RATO DE CORDA

. MEMÓRIAS DE UMA INFÂNCIA ...

. O MEU FOGÃOZITO!!!

. AS SAUDADES DAQUELA BONEC...

. O MUNDO ERA TODO DELE

. Já Abriu!

. DESAFIO!

.arquivos

. Novembro 2007

. Outubro 2007

.tags

. todas as tags

.links

.Contador

hits
blogs SAPO